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Simone Simonaggio: a determinação e a competência da mulher ítalo-brasileira
 
As feições compõem um semblante com traços muito peculiares. O sobrenome também é revelador. No entanto, esses aspectos, por si só, não são suficientes para atestar, efetivamente, a relação de um indivíduo com as suas origens, com a sua genealogia.

Ser descendente de italiano é muito mais do que uma aparência possa representar, do que um sobrenome possa indicar. Ser oriundi é um estado de espírito. É algo que brota da alma e que compõem e permeia o âmago da personalidade. Que se expressa no olhar, nos gestos, na fala, na postura perante a vida, nas relações, na conduta como cidadão ou cidadã, na preservação e no respeito aos valores, à cultura, aos hábitos dos ancestrais. Ser descendente de italianos é ter garra, determinação, coragem, honestidade, força inabalável para enfrentar desafios.

Ser descendente de italianos é ser como Simone Simonaggio. Mulher, mãe, empresária, líder, aos 33 anos essa descendente de Giacomo e Giuseppina sintetiza a história de lutas e conquistas da família Simonaggio, desde a sua saída de uma pequena localidade do Vêneto, passando pelas vicissitudes de enfrentar uma realidade desconhecida em uma terra estranha, até os dias atuais, quando o resultado de um trabalho empreendedor se consubstancia em produtos comercializados no Brasil e no exterior.

A metalúrgica Simonaggio, cujas atividades se concentram na fabricação de cutelaria em aço inox , espetos, bombas e cuias para chimarrão, suporte para cuias , pratos térmicos, bem como artigos plásticos para usos domésticos em geral, surgiu em 1973, no município de Garibaldi, na região do Rio Grande do Sul essencialmente colonizada e desenvolvida por italianos e descendentes. Porém, suas raízes estão mais distantes no tempo, remontam à época em que o tataravô de Simone, Giacomo, chegou ao Brasil trazendo sonhos e máquinas para produzir chapéus de palha. Foi o pioneiro nessa atividade.

Hoje, a metalúrgica Simonaggio possui uma capacidade de produção de 400.000 dúzias de talheres/mês, 26.000 unidades de espetos/mês, 3.520 unidades de cuias para mate/mês, 60.000 unidades de bombas para mate/mês, 3.520 unidades de porta cuias/mês, 350.000 unidades de taças e baixelas para sobremesa/mês, 35.000 pratos térmicos/mês, 50.000 tábuas para corte/mês, 50.000 martelos plásticos/mês, 5.000.000 cabos de talheres/mês, 30.000 separadores de talheres/mês e 23.000 garrafões térmicos/mês.

Dessa produção, 30% é exportada e aí está a mão e a competência de Simone que, desde criança, já se envolvia com as atividades da empresa, que possui uma área própria construída de 6.300 metros quadrados na matriz, em Garibaldi, e 4.050 metros quadrados na unidade localizada no município de Imigrante. Nessa unidade, aliás, são fabricados todos itens que compõe a linha de plástico.

Ao falar sobre a empresa, Simone revela um entusiasmo próprio de quem acredita no que faz. Simone é uma pessoa sensível, consciente do seu valor, da sua capacidade e, por isso mesmo, simples. Os funcionários mais antigos da empresa, que viram aquela menina serelepe e ativa circulando em meio às máquinas, a admiram exatamente pela sua forma amável, respeitosa de tratar a todos. Sem, contudo, deixar de sempre ter presente o profissionalismo. Não é por acaso que a metalúrgica Simonaggio ressalta sua característica familiar e, peculiarmente, suas “fortes raízes na cultura italiana e na tradição regional”.

E Simone é a expressão dessa percepção, onde a vontade de vencer está aliada à humildade e a uma força inquebrantável de quem tem um orgulho muito especial de ser uma “legittima”.

Leia, abaixo, a entrevista concedida por Simone Simonaggio:

ORIUNDI: A sua família é originária de qual região da Itália?
A família Simonaggio é originária da região do Vêneto, especificamente da cidade de Maserada del Sul Piave, cidade próxima a Treviso.

ORIUNDI: Quem veio para o Brasil?
O meu tataravô Giacomo Simonaggio, em 1878, juntamente com sua esposa Giuseppina e sua filha Rosália.

ORIUNDI: Aonde eles se instalaram inicialmente, e qual a atividade que desenvolviam?
Instalaram-se em Garibaldi, na época Colônia Cond’eu. Ele trouxe maquinários da Itália, para produzir chapéus de palha, tendo sido o primeiro produtor de chapéus de palha do Brasil. Ele trouxe para cá a cultura de trançar a palha e os maquinários para prensar o chapéu. Meus tios e meu pai ainda lembram o nome do fabricante das prensas que era “Ocho Hermanos”. Contam também que eles tinham sete mulas e saiam de Garibaldi até São Paulo, com essas montarias, para vender os chapéus. Em uma ocasião, meu tataravô saiu de casa com a esposa grávida e, quando retornou de São Paulo, a criança já caminhava.

ORIUNDI: Quais as lembranças marcantes que a senhora tem dos antepassados com os quais conviveu? Alguma passagem marcante durante a sua infância?
Tenho lembranças lindas de um casarão antigo, onde meus avós tinham a fábrica de chapéus de palha.A família era muito grande e lembro-me que era costume juntar todos para um almoço ou jantar; mesa farta de comida caseira, pães, massas e, claro, sempre acompanhados de um bom vinho – produzido pela família. Estas eram marcas registradas dos animados encontros.

ORIUNDI: A senhora já foi à Itália conhecer o lugar dos seus antepassados. Em caso positivo, qual foi a emoção que a senhora sentiu?
Estive na cidade de Maserada del Sul Piave, em 2001, e, na ocasião, visitei um Simonaggio que não tinha contato nenhum. Ligamos a um número da lista telefônica, quando já estávamos na Itália, e ele nos recebeu de braços abertos, serviu-nos vinho e aperitivos. Esta visita recordou-me muito o interior do nosso estado.

ORIUNDI: Qual o sentimento que a senhora tem em relação ao Brasil e a Itália?
Tenho muito carinho, especialmente pelo norte da Itália, onde eu realmente me identifiquei com as pessoas. Conheci 21 cidades da Itália, desde o sul até o norte, porém a ligação cultural está na região do Vêneto. Falávamos o nosso dialeto italiano e eles não acreditavam que éramos brasileiros, dizendo-nos “no credo mia que no son italiani ”.

ORIUNDI: A senhora possui hábitos que nunca deixou de cultivar como descendente de italiano?
Meus pais preservam o hábito de dialogar em italiano entre eles, conversam em dialeto Vêneto até hoje. Este contato direto e constante com a língua desde a infância fez com que nós, descendentes, cultivássemos o idioma, além de outros tantos costumes. Pode-se dizer que certas tradições perduram na família há cinco gerações, e pretendo repassar aos meus filhos o que for possível.

ORIUNDI: Como a senhora caracterizaria o perfil dos descendentes de italianos, os ítalo-brasileiros, com a questão do trabalho, do empreendedorismo?
É um povo extremamente batalhador, sem limites de esforço físico e mental. Crescem com uma base sólida e passam para seus filhos o quanto é importante trabalhar de forma honesta e árdua. O resultado é a potencialidade econômica da nossa região.

ORIUNDI: Nesse sentido, conforme os levantamentos indicam, a participação da mulher, seja de que etnia for, ainda é bastante reduzida em postos executivos de empresas, e muito menos ainda na liderança de entidades empresariais. Qual a sua opinião a respeito dessa situação?
Estou certa de que a mulher conquistou uma parcela representativa do mercado de trabalho, porém ainda é bastante discriminada principalmente no quesito gratificação salarial. A nossa região é bastante machista, e a mulher não tem muitas oportunidades de crescimento profissional para altos cargos. Vê-se que muitas empresas de grande porte não têm em seus cargos de Gerente e Diretores a presença de mulheres. Na minha área, exportação, é muito difícil encontrar mulheres que viajam e que façam a área comercial da empresa no exterior.

ORIUNDI: Como a senhora concilia o tempo entre as atividades familiares e as de trabalho?
Esta é uma das tarefas mais árduas do processo de amadurecimento humano. É preciso ser boa profissional e, ao mesmo tempo, boa mãe, administrando o tempo de maneira que nenhuma parte saia prejudicada. Confesso que, às vezes ,me sinto culpada por passar tanto tempo ausente do meu lar, principalmente em viagens que levam mais de 15 dias. Entretanto, como em qualquer situação, o diálogo é fundamental, e é assim que consigo administrar o meu tempo.

Sempre planejei constituir uma família grande, mas hoje percebo que isso seria quase um egoísmo meu. A mulher incorporou muitas atribuições do mundo masculino, porém, acho que a troca não foi recíproca, uma vez que os homens não tiveram esta mesma infiltração nos papeis sociais femininos. Logo, estas multifunções exigem tanto de nós que precisamos impor alguns limites ás nossas aspirações para não negligenciarmos o que já conquistamos e que nos é tão estimado. Atualmente, com 33 anos de idade, me sinto uma mulher realizada, tenho dois filhos maravilhosos, uma família que me dá um valioso suporte emocional e ainda posso me orgulhar da minha trajetória profissional, pois sem duvida me dediquei á uma profissão que admiro e que me traz satisfação.

ORIUNDI: A senhora poderia falar um pouco da sua trajetória profissional, qual foi o caminho percorrido até chegar à gerencia da exportação da Metalúrgica Simonaggio?
Eu comecei a auxiliar o meu pai na empresa ainda quando tinha 14 anos. Trabalhava à tarde e estudava pela manhã. Aos 19 anos, já bastante consciente e participativa no contexto da empresa, senti a necessidade de ter alguém que falasse outros idiomas, que pudesse ajudar na exportação da empresa, uma vez que o mercado argentino era bastante promissor e estávamos exportando muito para lá, na ocasião. Comecei a estudar línguas e a cursar Comércio Exterior na faculdade. Graduei-me nesta área e fiz especialização em negociação internacional. Hoje, viajo para várias partes do mundo com o objetivo de divulgar nossos produtos e nosso trabalho no mercado internacional.

As instalações da primeira fábrica de chapéus de palha do Brasil, instalada pelo tataravô de Simone. Foto: Divulgação

ORIUNDI: De outra parte, a senhora poderia falar sobre as circunstâncias que a levaram a assumir a presidência da Abitac? Como foi o desafio de defender os interesses desse segmento empresarial, quais os seus principais objetivos, como se desenvolveu o seu trabalho nesse âmbito?
A presidência da Abitac foi um período bastante importante para mim. Passei o cargo em abril deste ano. Foi realmente gratificante fazer um trabalho em equipe e tratar de defender os interesse de uma gama de empresas que nada mais são do que concorrentes no mercado interno e parceiras no mercado externo. Existe um grupo de exportação que, há três anos, vem desenvolvendo trabalhos de prospecção de mercados, participação de feiras, projetos compradores em que a Abitac traz o importador até as empresas com o intuito de conhecer as suas estruturas, projetos vendedores onde nós vamos até um mercado específico e fazemos um Show Room para mostrar nossos produtos e missões empresariais.

Também se buscou alternativas visando a redução de custos de matéria-primas, mecanismos de barreira à entrada de produtos subvalorizados, principalmente de mercados asiáticos. Acho que a minha indicação à presidência foi exatamente pelo fato da entidade estar fazendo este trabalho bastante voltado ao mercado externo, e assim, era oportuno a nomeação de alguém que tivesse uma boa visão do assunto.Ainda faço parte da diretoria da entidade e, estamos trabalhando em projetos bastante promissores para 2007 e 2008.O Site da entidade é www.abitac.org.br.

ORIUNDI: A senhora poderia falar um pouco dos fatores determinantes para o crescimento e a consolidação da Simonaggio, que começou produzindo bombas de chimarrão e hoje produz os mais variados itens de cutelaria e utilidades domésticas?
A Simonaggio sempre buscou crescer de forma sólida e consistente, ou seja, sempre tendo como parâmetro a mobilidade em que o mercado se apresenta. Diante do cenário apresentado nestes anos, a empresa procurou ampliar seu leque de produtos e adaptar-se às questões ligadas à necessidade do mercado e comportamento de compra do consumidor. Além disso, a empresa caracteriza-se por sua seriedade e respeito ao ser humano, seja ele nosso cliente, fornecedor ou colaborados direto.

ORIUNDI: A Simonaggio tem uma direção familiar. No entanto, também se caracteriza por um forte profissionalismo.Como a senhora definiria esse processo de gestão, como se dá a relação entre os familiares, e os resultados que a empresa obtém com a sua utilização?
Somos uma família bastante unida. Nosso exemplo está na primeira geração, a dos nossos pais, que batalharam para construir esta empresa a qual estamos administrando conjuntamente. Eles tiveram muitas dificuldades, que foram superadas uma a uma, graças ao espírito de união. A segunda geração tem acompanhado o progresso desde cedo. Como todos nós morávamos muito próximos da fábrica, acabávamos visualizando algumas dificuldades e algumas conquistas também. Nos primeiros anos, a família de cada sócio sofreu muito com a ausência do pai dentro de casa, pois começaram a estender seus negócios em outras cidades, o que exigiu a sua presença cada vez mais intensa dentro da empresa.

Esta situação foi positiva, motivou a segunda geração, de acordo com sua predisposição profissional e perfil pessoal, a se posicionar dentro de uma área na empresa, buscando sempre a especialização contínua. Assim, todos nós nos sentimos parte imprescindível de um todo, e temos satisfação de complementar a performance da empresa com nosso trabalho.

É obvio também, que existem divergências, mas, sempre chegamos a um consenso harmonioso. Considero a divergência benéfica para a empresa, uma vez que são nestes momentos que surgem idéias novas, contrariedades e sugestões que amadurecem a questão.

ORIUNDI: Ao se ler a filosofia da Simonaggio, constata-se uma atenção com aspectos que nem sempre são ressaltados em documentos similares, tais como compromissos com princípios que garantem a inexistência de qualquer tipo de discriminação, além da clara observância do que reza a Declaração Universal dos Direitos do Homem, da OIT e da Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças. A senhora poderia comentar essa preocupação da Simonaggio? Como esses cuidados se relacionam com a valorização e respeito com os colaboradores?
Pela própria seriedade da cultura da Simonaggio, a empresa sempre respeitou todo e qualquer princípio de igualdade, nunca desrespeitando as leis trabalhistas, ambientais e sociais. Nosso vínculo com os colaboradores é quase familiar. Por estarmos localizados em um bairro distante três quilômetros do centro da cidade, e mediante o fato de que não existem outras indústrias nesta área, os moradores dos arredores trabalham conosco, desde os primórdios da empresa. Hoje, posso dizer que, ao circular pela fábrica, tenho condições de cumprimentar mais de 70% dos colegas pelo nome. Costumo passar pela fábrica com os importadores e eles ficam impressionados e me perguntam: Simone, como você sabe o nome de todos? Na verdade, a grande maioria deles são funcionários antigos, que me viram crescer.

ORIUNDI: Outros termos que se destacam nos textos institucionais da empresa: seriedade, respeito, empresa sólida e íntegra, progresso linear e justo. A senhora poderia comentar a preocupação com esses aspectos, com esses princípios?
Este tipo de preocupação faz parte da cultura da Simonaggio, são aspectos que estão sendo analisados e respeitados desde a fundação da empresa, em 1973, através de seus sócios-fundadores e cada vez mais intensificados nessa sucessão familiar.

ORIUNDI: A senhora poderia falar sobre a política da empresa em relação ao meio ambiente?
A Simonaggio realiza ações na área ambiental objetivando a preservação do meio ambiente para as futuras gerações. Desta forma, realiza a coleta seletiva do lixo, segregando adequadamente os resíduos gerados em seu processo produtivo, encaminhando-os à correta destinação. Os colaboradores da empresa, devidamente treinados para esta atividade, são responsáveis, inclusive, pela administração dos recursos obtidos com a venda de determinados resíduos, aplicando-os na realização de confraternizações (Dia do Trabalhador, Encerramento do Ano, etc), o que motiva o comprometimento de todos nestas ações preservatórias.

A empresa investe constantemente em melhorias nas suas estações de tratamento de efluentes e, monitora, através de análises, a qualidade de tais efluentes. Desde o ano de 1999, a Simonaggio destina os resíduos que não podem ser reciclados à Central Proamb, sediada em Pinto Bandeira, Bento Gonçalves. Essa Central, contemplada com o selo ISO 14001, além de atender as exigências da Fepam, é considerada exemplo no que se refere à disposição de resíduos industriais.

ORIUNDI: E quanto à Responsabilidade Social?
A Simonaggio preocupa-se em oferecer um ambiente de trabalho que permita uma boa qualidade de vida aos seus colaboradores. Setorialmente, através de supervisores, procura assistir às inter-relações de modo a ter certa garantia de que a convivência entre colegas seja saudável e o ambiente de trabalho, em si, seja agradável e seguro. Enfim, cientes de que nossos colaboradores despedem grande parte de seus dias trabalhando conosco, tentamos ficar atentos às necessidades básicas, investimos em melhorias contínuas. Assim, aos colaboradores da empresa, são disponibilizados convênios com óticas, farmácias, creches, além de participação nos valores dos Planos de Saúde de seus funcionários.

Anualmente, na semana da SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) a empresa realiza atividades voltadas à atualização e à criatividade de seus colaboradores, ministrando palestras relacionadas a aspectos motivacionais, relações de trabalho, prevenção de acidentes, dentre outros. Também promove concursos voltados ao desenvolvimento da criatividade dos colaboradores, oferecendo-lhes premiações financeiras.

A empresa destina ainda, 1% de seu Imposto de Renda para o Fundo da Criança e Adolescente.

ORIUNDI: Mesmo sendo relativamente jovem, a Simonaggio é possível afirmar que a empresa já se consolidou no mercado nacional, onde inclusive ocupa a segunda posição no âmbito de talheres?
Acho que essa conquista resulta de um esforço mútuo entre os administradores da empresa e de sua equipe de vendas. Também atribuímos este mérito à relação custo benefício dos nossos produtos, à política de vendas da empresa, que enfatiza a honestidade e transparência nas suas negociações, conquistando a confiança do mercado.

A empresa tem uma capacidade produtiva elevada, o que permite sua participação em grandes cotações de atacados e clientes potenciais. Deveras, a marca Simonaggio já está consolidada no mercado e transmite muita segurança e confiança ao consumidor.

ORIUNDI: E em nível de mercado internacional, como está a ação da empresa, quais os países em que já se faz presente? Qual o percentual da produção destinada ao exterior, qual foi a estratégia da Simonaggio para conquistar esse mercado exigente? Novos mercados estão sendo prospectados?
A Simonaggio sempre dedicou uma profunda atenção às exportações. Em 1975, a empresa já possuía uma comercial exportadora em Foz do Iguaçu-PR, para atender ao mercado Paraguaio. Cabe salientar, que, naquela época, não era comum esta preocupação dentro das indústrias locais.

Hoje, cerca de 35% da produção é destinada ao mercado externo. Atuamos na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, há mais de 15 anos. Atendemos toda América do Sul, a quase totalidade da América Central, além de alguns países da África e Europa. Juntamente com a Abitac, a empresa está com projetos de prospecção para o Leste Europeu, Estados Unidos e outros países Africanos.

Quanto à estratégia de mercado, pode-se dizer que cada país/região possui suas peculiaridades e, em cada caso, a empresa estuda a melhor maneira de penetrar neste país. Na grande maioria dos casos, contamos com um distribuidor exclusivo Simonaggio que tenha grande abrangência e esteja bem posicionado no mercado. Essa estratégia tem dado certo e rendido contratos atrativos.

ORIUNDI: A bomba de chimarrão não deixou de ser produzida. No entanto, a empresa diversificou sua linha. Quantos itens a Simonaggio produz atualmente, quais os segmentos? Existira algum ou alguns produtos que podem ser definidos como carro-chefe da produção?
A produção de bombas para chimarrão constitui um processo artesanal e custoso, porém, como o início da empresa foi com esta linha, não queremos deixar de produzi-la. O nosso carro chefe, atualmente, é a linha de talheres em geral. Para o mercado externo, a linha de talheres de madeira representa 70% das exportações.

Simone Simonaggio: reciclar e aprimorar conhecimentos, a receita do sucesso. Foto: Divulgação

ORIUNDI: Existem planos de ampliar o mix? De diversificar mais a produção?
A empresa está construindo um novo pavilhão, onde ampliará a linha de produtos plásticos para utilidades domésticas.

ORIUNDI: Como a Simonaggio enfrenta o desafio permanente da atualização tecnológica?
Existe uma conscientização bastante forte na empresa quanto à modernização do parque fabril, desde a primeira geração, onde o lucro gerado pelo negócio é, em grande volume, reinvestido na empresa. Existem máquinas italianas, alemãs, americanas que fazem com que o processo produtivo fique cada vez mais rápido e com menor custo.

ORIUNDI: Como a senhora analisa o setor, tanto em nível de mercado nacional quanto internacional?
A globalização, por se constituir em um processo irreversível e avassalador, requer que todos os integrantes do cenário internacional estejam atentos às mudanças e inovações ocorridas no mercado mundial. Ao longo do período de 2002 a 2004, as indústrias locais, sejam elas do nosso setor ou não, realizaram altos investimentos em seus parques fabris e ganharam competitividade no cenário internacional. O dólar apresentava-se favorável às exportações e os custos internos de produção experimentaram redução em contrapartida à tecnologia adquirida. Por outro lado, em 2005, com a queda brusca do dólar, muitas empresas exportadoras sofreram prejuízos com contratos já firmados e outras reduziram substancialmente suas exportações.

Com a atual situação da taxa de câmbio, desfavorável à exportação e dando abertura às importações, a indústria nacional está ofertando uma maior quantidade de produtos no mercado brasileiro, os quais, no passado, eram exportados. Ao mesmo tempo, a entrada de uma ampla gama de produtos importados oriundos de vários países, principalmente asiáticos, proporciona uma oferta maior do que a demanda, pressionando assim, a redução dos preços dos bens.

O resultado disto é um mercado nacional com uma super oferta de produtos, tanto importados quanto nacionais, enquanto o externo está vinculado à valorização do real, o que faz com que as indústrias percam a competitividade internacional.

Será preciso administrar esta nova situação que se instala na atual conjuntura econômica, pois não estaremos mais competindo apenas com os concorrentes nacionais, mas com potencias internacionais que não estão expostas a cargas tributárias, custos logísticos, custos de captação de capital tão elevados em comparação ao Brasil.

É preciso usar a criatividade, pois o consumidor está cada vez mais exigente e espera adquirir produtos novos com design arrojado, aliado à modernidade e praticidade. Para complementar, esperam ainda, que os preços destes bens sejam compatíveis às suas capacidades de compras.

O empresariado brasileiro, independente do seu setor de atuação, necessita acompanhar a tendência mundial, pois com a abertura do mercado, os mais fracos estarão sujeitos à ficarem obsoletos e a desaparecerem gradativamente.

ORIUNDI: Na condição de dirigente de empresa e de diretora de uma entidade quais as convicções pessoais que a senhora nunca abriu mão?
A serenidade e a tranqüilidade fazem com que o ser humano possa discernir e filtrar melhor a informação, seja em uma dificuldade ou em uma oportunidade que a situação ofereça. Além disso, o quesito honestidade e seriedade pesam muito no conceito de empresa e de empresário, tanto para o mercado nacional quanto para o internacional.

ORIUNDI: Na sua opinião, o que é necessário para um empreendedor(a) ser bem sucedido?
Faz-se necessário reciclar e aprimorar o nosso conhecimento, seja nas questões internas como externas do negócio. É preciso ter essa carga de informação para crescer como pessoa e profissional, gerando assim uma empresa cada vez mais propensa ao sucesso.

Fonte: Redação ORIUNDI

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